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Na igreja evangélica contemporânea, é comum as pessoas reconhecerem, verbalmente, que a Bíblia, como Palavra de Deus, é a autoridade final no que diz respeito ao que crêem e à maneira como vivem. Contudo, na realidade, uma conexão nítida entre o que elas confessam em público e a sua conduta pessoal é rara.

Em vez de examinarem a Bíblia, muitos cristãos professos recorrem à psicologia e à sociologia a fim de acharem soluções para necessidades pessoais e males sociais. A ascensão do pensamento pós-moderno tem distorcido o entendimento da igreja acerca do certo e do errado, enquanto uma tolerância não bíblica (em nome do amor) tem enfraquecido as igrejas a ponto de se tornarem levianas quanto à verdade e ao pecado. Shows de televisão populares têm causado um efeito palpável (e não para melhor) na maneira como os cristãos americanos pensam nos assuntos corriqueiros. O cenário político tem desempenhado, igualmente, um papel importante em moldar o entendimento evangélico a respeito da moralidade; e palavras como “republicano”, “democrata” ou “liberal” e “conservador” têm definido a diferença entre o que é bom e o que é mau.

O fato é que muitos cristãos professos vivem cada dia fundamentados em princípios diferentes dos princípios bíblicos. Como resultado, as suas prioridades refletem as prioridades do mundo, e não as de Deus. Seus padrões de comportamento e seus planos quanto ao futuro diferem muito pouco dos seus amigos e vizinhos não salvos. Os seus gastos revelam que sua perspectiva é temporal e que estão buscando inutilmente o ilusório Sonho Americano. Seus erros, quando os admitem, recebem os mesmos nomes que o mundo lhes atribui (“enganos”, “enfermidades”, “vícios”, e não “pecados”), à medida que buscam respostas na psicologia, na medicina ou na seção de auto-ajuda nas livrarias. Embora sejam adeptos de uma forma exterior de moralismo cristão, não há nada particularmente bíblico ou cristocêntrico na maneira como vivem.

No entanto, é na vida de pecadores que foram transformados pelo evangelho da graça que a ética distintamente cristã tem de ser manifestada. O verdadeiro cristianismo não é definido com base em moralismo externo, tradicionalismo religioso ou partidos políticos, e sim com base no amor pessoal por Cristo e no desejo de segui-Lo, sem importar-se com o custo (cfr. Jo 14.15). É somente pelo fato de que os cristãos foram transformados no interior (por meio da regeneração operada pelo Espírito Santo) que eles são capazes de exibir piedade em seu comportamento. E o mundo não pode fazer nada além de observar. Como Jesus disse aos seus ouvintes, no Sermão do Monte: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16; cf. 1 Pe 2.12).

O âmago da ética cristã é o evangelho. Somente aqueles que foram transformados no interior (Tt 3.5-8) e são habitados pelo Espírito Santo (Rm 8.13-14) podem demonstrar verdadeira santidade (Gl 5.22-23; 1 Pe 1.16). O cristianismo bíblico não se preocupa primariamente com mudança no comportamento exterior (cf. Mt 5-7), e sim com uma mudança de coração que se manifesta posteriormente em uma vida mudada (1 Co 6.9-11).

A verdadeira ética cristã não é possível sem a obra de regeneração realizada pelo Espírito Santo. A menos que o homem interior seja primeiramente purificado, a moralidade externa e observâncias religiosas são apenas um disfarce superficial. Jesus repreendeu os hipócritas de seus dias com estas palavras: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt 23.27). Cristo não estava dizendo que o comportamento é insignificante. Mas, do ponto de vista de Deus, o que mais importa é o coração (cf. 1 Sm 16.7; Mc 12.30-31).

O coração que foi verdadeiramente transformado por Deus corresponderá em amor ao seu Filho, Jesus Cristo (cf. Jo 8.42). E aqueles que amam a Jesus Cristo desejarão intensamente segui-Lo e obedecer aos seus mandamento (cf. Jo 14.15), conforme registrados em sua Palavra. Uma ética verdadeiramente cristã afirma e aplica com ardor as instruções morais contidas na Bíblia. Mas não faz isso como uma tentativa de ganhar legalisticamente a salvação (Is 64.6). Antes, tendo recebido a salvação como o dom de Deus por meio da fé em Cristo (Ef 2.8-9), a ética cristã obedece motivada por um coração cheio de amor (Ef 2.10).

Se os cristãos têm de viver em harmonia com o que são (filhos de Deus), devem viver de acordo com a Palavra de Deus, pelo poder do Espírito Santo. Nenhum outra fonte de sabedoria ou percepção moral o capacitará a viver assim. Por definição, eles são o povo do Livro — não somente aos domingos, mas também durante cada dia da semana (cf. Is 66.2).

Este artigo é introdução ao livro Right Thinking in a World Gone Wrong (Pensando Certo em um Mundo Errado).


Translation provided by Editora Fiel

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